
Eita, que só agora vi essa treta. Meu dedo tá coçando, Teresa. Tenho que opinar.
O que acho (e, por favor, não me crucifique por ter uma opinião);
A lógica de inserção nesses espaços ditos “estatais” (com exceção de Studio SP) mudou. Falo isso como “meio blogueiro, meio tuiteiro, meio crítico, meio artista”. (Rá! Te peguei!) O que vejo é a coisa mais profissionalizada. Teresa, fiquei de cara outro dia quando vi que já existe curso superior (pois é…, lá em cima mesmo!) com enfoque em formulação de projetos pra editais de Sescs, Petrobras e do tipo… E fato é que a cena “hey, independente, vai toma no c…” paulistana é formada por uma galera organizada. Acho que isso resume um pouco a coisa. Criolo, Emicida, Froes, Takara…, é um que conhece outro, que produz outro, que agencia outro, que é parceiro, que conhece o jornalista, que é amigo do animador do SESC, que é casado com a filha do dono, e assim vai… É a mesma Tchurminha! Sempre é!
Agora, com relação ao conteúdo… dá um desânimo realmente! Teresa, o que acho (e, por favor, não me crucifique por ter uma opinião); É tudo meio ruim ou ruim! Do que ouvi, Criolo e Emicida foram divulgados aqui no blog. Fizeram discos bons, bem feitos, bem produzidos, mas nada de mais! Criolo é um rapper que lança um disco em que não faz rap, merece uma ouvida, mas assim… sem auê! Emicida me deixou a impressão do rap personalista, individualista, o cara que canta a história do cara que venceu, superou as dificuldades, você ouve uma vez, duas… desânimo! Não ouve mais! Já Froes, Tulipa sei lá o quê, Jeneci e o resto da cena… … desânimo! Foi aquela meia primeira ouvida e menos de um minuto depois já estavam na minha lixeira! huuaa! (risada de mau) (Teresa, se algo era realmente bom, então me desculpe, mas é que sou meio intolerante, então se a coisa não me pega logo de cara, já viu…)
Mas é isso, gente. Resumindo, é uma galera organizada! O que é bom, muito bom! mas o som é ruim, e, no final, sem problemas… Sempre vai ter gente que gosta, é aquele barulho, logo passa e vem outro.
E, finalizando.. Alvaro! Mandou bem, meu filho! Tem que sapecar a moçada mesmo…
![alvaro[1]](http://agravataflorida.files.wordpress.com/2011/10/alvaro1.jpg?w=450)
ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
É proibido criticar
O “NME” faz um tipo de jornalismo e tem uma relação com artistas impensáveis no Brasil atual
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Por uma boa causa, quebrei uma escrita de mais de dez anos: comprei o “New Musical Express”, o semanário londrino que pauta 100% da imprensa musical do planeta. Fui atraído pela capa, sobre os 20 anos do álbum “Nevermind”, do Nirvana. Mas o que encontrei foi muito além disso. Uma publicação vibrante, bem escrita, quente e, acima de tudo, apaixonada.
Bandas de meninos de 19 anos são apresentadas como a salvação da Terra. Álbuns de artistas iniciantes tanto podem ser elevados às alturas mais extremas, quanto eviscerados por uma crítica negativa.
Eu não comprava mais o “NME” por teimosia. Por julgá-lo uma fábrica de “hypes”. Por achar melhor pensar com minha própria cabeça do que simplesmente seguir o que o semanário chancela.
Mas vejo que vacilei. O “NME” faz um tipo de jornalismo, e tem uma relação com artistas, impensáveis no Brasil atual.
A tensão criativa que ele tão bem expressa não encontra eco por aqui. Pelo menos não no dito cenário independente de São Paulo, que acabo acompanhando mais de perto.
Em terras bandeirantes, praticamente não há mais distinção entre jornalistas e músicos. É todo mundo meio blogueiro, meio “tuiteiro”, meio crítico, meio artista. É todo mundo muito amigo, tudo é muito fofo, tudo é muito “amor” (aos mais velhos e aos off-line, explico que “amor” vem sendo usado como sinônimo de “ótimo”).
Em qualquer jornal, revista ou site, em qualquer blog ou conta do twitter, você vai ler exatamente os mesmos elogios para o rap feito sob medida para jornalistas branquinhos de Criolo, para a bossa velha de Romulo Fróes, para o sambinha sem “cojones” de Thiago Pethit.
Para complicar esse quadro de complacência, quase toda a cena de música independente no Brasil está de costas para o público. Não precisa dele. Abrigou-se sob um guarda-chuva estatal ou paraestatal.
Novos artistas (e muitos nem tão novos assim), praticamente só tocam em dois tipo de casa: Sescs ou no Studio SP, na rua Augusta.
Os Sescs, regiamente mantidos por um imposto compulsório, têm uma peculiaridade: pagam cachês altos, muito acima do mercado, e cobram ingressos baratos (isso quando cobram alguma coisa).
E o Studio SP, uma potência que não para de crescer (tem agora um irmão recém-inaugurado, o Studio RJ), opera numa interface entre o mundo artístico e o político-partidário que eu prefiro não conhecer.
Cria-se assim o seguinte quadro.
A crítica não perturba. Todos, “críticos” e músicos, rezam pelo mesmo catecismo consensual.
Os artistas não precisam nem querem crescer. Estão satisfeitos com o esquema dos Sescs, que lhes paga mais do que merecem. E não precisam correr atrás de público. Por si, os shows baratos e os festivais gratuitos, bancados por governos, já atraem o pessoal.
Aponte um músico ou banda que tenha surgido desse mundo indie estatal, de Sescs, Studio SP, verbas da Petrobras, do MinC, de secretarias de Cultura, um único artista desses que seja maior hoje do que há cinco anos. Não existe.
Pode-se fazer uma crítica política a esses indies estatais, ao seu adesismo lulista e seu aparelhamento de editais e verbas públicas para a cultura.
Mas minha crítica é mais simples, tem a ver com estética e mercado. Qual a real inovação trazida por Criolo, Fróes, Pethit e congêneres? E até quando esses indies sambistas -e as bandas do tal circuito “fora do eixo”- vão ficar pendurados em Sescs, festivais gratuitos e dinheiro do governo? Se o lulismo desaparecer um dia, a música brasileira se extingue também?
Sei que não sou o cara ideal para dizer essas coisas. Porque tenho 48 anos e porque nunca morri de amores pela MPB. Este texto pode ser descartado como ressentimento de um coroa que não entende a harmonia brasileira do século 21, ou ranço de um incapaz de captar a beleza de nossa música.
Mas acabei escrevendo esta coluna porque a leitura do “NME” me estimulou.
Lembrou-me que, em algum lugar do mundo, existem músicos que buscam de verdade aumentar sua base de fãs, porque precisam deles para sobreviver. E existe um jornalismo musical que vibra e incensa, mas que também incomoda. Vou assinar o “NME”.
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