” Emocionante. 6º Festival de Curta de Atibaia é ocupado por Pinheirinho.” “quero que todos os fascistas vão pra casa do caralho.”


O cara mandou bem…

“Estou à flor da pele.

Falo aqui como mais uma pessoa que não se aguenta perante as injustiças do mundo. Repudio a ação NAZISTA do governo do Estado de São Paulo, representado na figura de um verme intitulado Geraldo Alckimin contra nove mil pessoas na comunidade de Pinheirinho em São José dos Campos.

Mortes, xingamentos, balas, ditadura que leva o nome de democracia, violência exacerbada a luz do dia contra o povo pobre e preto em detrimento dos interesses do mega especulador Naji Nahas, ladrão de colarinho branco procurado em mais de 30 países.

Eu sou Cracolândia, sou Eldorados dos Carajás, sou Irmã Doroth, sou Carlos Mariguella, sou Zumbi, sou Zapata, sou Africa Bambaataa, sou MST, sou índio Galdino, sou Sabotage, sou Chico Science, sou Pantera Negra, sou Mandela, sou Sendero Luminoso, sou Guevara, sou Movimento Sem Teto, sou Sarau do Manolo. Sou contra a polícia nazista.Sou gay, sou empregada doméstica, sou ambulante, sou xavante, sou preto, sou militante, sou poeta, sou operário, e quero que todos os fascistas vão pra casa do caralho.

Sou Pinheirinho . Sou Pinheirinho. Sou Pinheirinho.”

Cervan

(Documentário) O Massacre de Pinheirinho: A verdade não mora ao lado


(A qualidade do áudio não é das melhores, mas faça um esforço)

“Este vídeo revela os jogos de interesses na expulsão dos 9.000 moradores da ocupação Pinheirinho, de 8 anos, em São José dos Campos. Traz, também, imagens do dia da desocupação (22/01) e depoimentos sobre a truculência policial. 

Coletivo de Comunicadores Populares
http://www.comunicadorespopulares.org

Filmagem e entrevistas: Cristina Beskow, Yan Caramel, Gabriel de Barcellos
Edição: Jefferson Vasques

Errata: No vídeo se fala em 6.000 moradores, quando o certo seria 9.000.”

Serra será chamado para depor em CPI da Privataria


 

Por: Júlio Gardesani (julio@abcdmaior.com.br)

Protógenes Queiroz afirma que chegou a hora da prestação de contas. Foto: Luciano Vicioni

Deputado Protógenes Queiroz garante assinaturas para investigar irregularidades em privatizações

O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) garantiu as assinaturas necessárias para criar a CPI da Privataria Tucana, que investigará supostas irregularidades nas privatizações promovidas pelo PSDB na década de 1990. Ao ABCD MAIOR, Protógenes afirma que os parlamentares irão ouvir o ex-governador José Serra (PSDB), citado pelo livro do jornalista Amaury Ribeiro. “As manifestações desesperadas de Serra são esperadas de quem teme o prosseguimento das investigações”, afirmou Protógenes.

ABCD MAIOR – O livro A Privataria Tucana servirá como prova nas investigações da CPI das privatizações realizadas pelo PSDB?
PROTÓGENES QUEIROZ – Primeiramente, é preciso ter a noção de que não se trata de um simples livro. A publicação é um documento que cruza fatos, munido de informações públicas, inclusive com outras fontes, que convergem com investigações da Polícia Federal, acompanhadas por mim durantes doze anos. Apesar do tema privatizações já ter sido alvo de investigações, não conseguimos avançar muito. No entanto, é chegada a hora da prestação de contas. As privatizações não são um tema da alçada apenas política, mas sim de organizações sociais e de toda a população brasileira. Apesar de o debate ser retomado a cada eleição, seja municipal, estadual ou nacional, nunca nenhum político levou o tema privatização para nenhum parlamento brasileiro.

Por que a sociedade deve acreditar que os responsáveis pelos supostos crimes apontados no livro de Amaury Ribeiro, se comprovados, serão punidos?
Hoje, temos um momento político renovado e reforçado pela participação popular, movimentos sociais e pela classe trabalhadora, que acompanha o espaço da política brasileira. Vivemos um momento produtivo para a democracia brasileira, que é externado pela coleta de assinaturas para a implantação da CPI. Foi o ato primário que deu início ao debate. Em quatro dias, conseguimos 185 assinaturas, durante o final de primeiro ano de uma nova legislatura. Assinaturas não só da base governista, mas também da oposição e até mesmo de deputados do PSDB. Por isso, acredito que esta CPI colocará o Brasil historicamente nivelado com outros países, que passaram pelos mesmos processos. Também temos a questão da Comissão da Verdade. São temas que já foram debatidos na Argentina e no Peru, por exemplo. Nosso objetivo, no Brasil, é atingir um nível de trabalho dentro de nossa realidade e perspectiva política. Todos esses indícios de irregularidades sem as devidas investigações sempre nos deram a sensação de impunidade e impotência.

E o que foi feito com o dinheiro das privatizações tucanas?
Fomos enganados um dia. É isso que o livro nos revela. Nos contaram uma história muito bem feita, na década de 90. Não foi realizada nenhuma manifestação pública. Isso porque a maioria da população deu crédito, à época, para o PSDB e para o presidente Fernando Henrique Cardoso conduzirem o processo de privatização, acreditando que seriam retomados os investimentos em educação, saúde, segurança pública, reforma agrária, entre tantos outros, o que se passaria com a arrecadação da venda de nosso patrimônio. Mas este dinheiro sumiu. E tudo piorou no Brasil após as privatizações. Até hoje, o governo da presidente Dilma Rousseff paga um preço muito alto pela desestruturação de nossa rede pública de serviços.

O candidato derrotado à presidência da República em 2010, José Serra (PSDB), que teve o nome envolvido nas denúncias, afirmou que tanto o livro como a CPI seriam apenas “lixo” e “palhaçadas”.
É o primeiro sintoma do comprometimento do ex-governador José Serra com possíveis atos ilícitos e irregularidades que podem ter ocorrido nestes processos de privatização. Manifestação esperada de quem teme o prosseguimento desta investigação. Além disso, demonstra falta de compromisso com a democracia no Brasil. Confesso que me surpreendi com as declarações do ex-governador, ex-candidato a presidente da República, ex-militante estudantil e ex-exilado político José Serra. Ato que será corrigido quando Serra for chamado para depor na CPI, pois o parlamento brasileiro será o fórum mais adequado para tais explicações.

E quando terão início as investigações?
Temos, hoje, 185 assinaturas confirmadas. Número superior ao quórum regimental de 171 assinaturas. Acredito que nas primeiras semanas de fevereiro a CPI estará instalada e as investigações, devido aos trâmites legislativos, terão início após o Carnaval.

Durante a operação Satiagraha, promovida pela Polícia Federal, o senhor foi um dos responsáveis pela prisão do banqueiro Daniel Dantas (duas vezes preso e duas vezes solto pelo então ministro do STF Gilmar Mendes). Agora, Dantas volta a ser citado em indícios de irregularidades apontados pelo livro. A CPI será a extensão das investigações da Satiagraha?
O livro envolve as mesmas pessoas que, ao longo dos 12 anos, foram investigadas pela Polícia Federal, período em que lá estive. Então, vem o banco Oportunity, do Daniel Dantas, que participou de todo o processo de privatização no Brasil durante a década de 90, e aparece no livro com algumas operações suspeitas de fraude. E é normal que essas pessoas se encontrem em fatos criminosos, pois o modo de agir é sempre o mesmo. O que muda é apenas o momento político. Agora, em 2012, teremos a CPI da Privataria. Mas daqui 20 anos, essas pessoas estarão sendo investigadas em outras operações. As pessoas se utilizam desta sensação de impunidade para continuar no poder. Seria muito melhor se utilizassem a inteligência deles para o desenvolvimento do Brasil. Curiosamente são as mesmas pessoas que nasceram neste bloco de direita, desde a UDN, Arena, passando pelo PFL. Este é o caminho deles.

Qual a pena, caso os crimes sejam comprovados?
A pena para quem cometeu os crimes descritos no livro, se comprovados, chega a 50 anos de prisão, bloqueio de bens e a recuperação dos bilhões de dólares desviados aos cofres públicos. Devem ficar atrás das grades e sem dinheiro nenhum.

Para ver a entrevista de Protógenes Queiroz à TVT, clique aqui


Sensual demais, político de menos – Ato Mundial contra Belomonte


Tipo… que porra é essa? Um ensaio de moda de cunho “alerta ambiental”?

Tem umas coisas que a galera faz que sei lá… Em todo caso, fica o informe.

MARCHA DE PROTESTO DOS ÍNDIOS CONTRA BELO MONTE
20 de agosto (sábado)
as 13 horas, no MASP

Os protestos em Londres: uma entrevista esclarecedora


Dica de Aline Scarso

Ao que tudo indica, porém ninguém veicula, os protestos na Inglaterra têm sim cunho social. O depoimento esclarecedor de um inglês (negro), de nome Darcus Howe, sobre os protestos na Inglaterra, foi veiculado recentemente – com legendas – no jornal da Cultura. 

O mais interessante é quando a entrevistadora chama de “desordem” o que está acontecendo em Londres, o homem entrevistado responde: “não é desordem, é insurreição popular. Está acontecendo na Síria, no Líbano e está acontecendo em Londres.”

Exatamente, Teresa! E por que não em Londres?

Vídeos do “kit gay” do MEC


Não sei se vocês viram, mas a Dilma suspendeu a distribuição do kit anti-homofobia, em planejamento pelo Ministério da Educação, após protesto da bancada evangélica.

Enfim… (opinião minha) retrocesso.

Segue alguns vídeos que estavam cotados para constar no kit.

Avaliem…

A prof Amanda Gurgel (Natal-RN) me deixou sem palavras…


Também… nem precisa falar nada. Ela disse tudo sobre o atual retrato da educação no Brasil de hoje e ontem.

* Professora Amanda Gurgel silencia Deputados em audiência pública. Depoimento Resumindo o quadro da Educação no Brasil. Educadora fala sobre condições precárias de trabalho no RN/BRASIL. (10/05/2011)

Zona Crítica – Cap II – 500 anos de Brasil


Ontem, Nina Fidelis me informou que o segundo capítulo do documentário Zona Crítica está rede. 500 anos de Brasil faz uma análise crítica da nossa história até então com foco no desenvolvimento sócio-econômico.

Vale demais o confere!

Detalhe, reparem na voz do narrador… Coisa fina!


E para quem ainda não viu o cap I.

O vídeo foi elaborado por Nina Fideles, João Campos e W.Jesus, a partir do curso de Teorias Sociais e produção do Conhecimento realizado em parceria entre a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para realizar este trabalho, que teve como objeto o mundo urbano, os autores do filme optaram por levantar questões entre o grupo e testar maneiras de socializar-las, num processo de reflexão sobre a forma de produção e socializão do conhecimento que são imposto pelas instituições acadêmicas. Os integrantes participaram igualmente do processo, sem que fosse necessária a coordenação geral de um dos participantes ou a divisão entre quem pensa e quem faz.

Todo processo envolveu reuniões de leitura e estudo coletivo, leituras individuais, pesquisas de filmes e ví­deos, captação de imagens na cidade de São Paulo, elaboração de entrevistas, realização de entrevistas como espaço de aprofundamento de questões, elaboração do roteiro, montagem e edição do ví­deo.

O resultado final, segundo os autores, oferece uma plataforma para iniciar de fato os estudos. Alçar voos mais altos em termos de pesquisa e objeto é a meta. Mas sempre buscando permanentemente formas diversificadas para socialização de debates e construção coletiva de conhecimento.

O filme já foi exibido em vários cursos de formação do MST, como em Ribeirão Preto no curso de Agroecologia e no curso de Comunicação e Cultura na Escola Nacional Florestan Fernandes.

Filme: Zona Crí­tica
Gênero: Documentário
Tempo de duração: 47 min
Produção: Proletas da Quebrada
Classificação: Livre

Mais info: ninafideles@gmail.com

Breve o capitulo III

Lobão fala de Caetano, Chico Buarque e Gilberto Gil, Bossa Nova, Oscar Niemeyer e o que mais vier na cabeça dele!


Hoje um camarada meu (senhor Bruno Guerra) postou um video do Lobão tocando A Vida é Doce. Vi isso e outras coisas do cara, e daí me lembrei dessa participação dele no programa Café Filosófico (como assim? Esse mesmo) na TV Cultura.

… Lobão é um cara demais de contraditório e polêmico – e até aí vários são –, mas a questão é que ele sendo polêmico e contraditório é bom demais.

Obama lança campanha para 2012 no YouTube


A hora está chegando novamente para o presidente Barack Obama que iniciou hoje a sua campanha à reeleição com a divulgação de um vídeo pelo youtube.

O mandatário estadunidense teve a internet e as mídias sociais como ponto crucial para ganhar as eleições à presidência dos EUA, em 2008. Agora Obama tentará usar das mesmas ferramentas para trabalhar sua imagem junto aos eleitores e reverter a sua baixa popularidade.

O que está por vir em termos de disputa eleitoral é imprevisível. A única afirmação que merece maior crédito é a de que o poder da internet para ganhar votos e alavancar fundos é quase insuperável e mesmo assim ainda bem inexplorado.

Corrupção crônica nas Secretarias de Meio Ambiente na Amazônia


 

“A corrupção nas Secretarias de Meio Ambiente de estados como o Pará, o Mato Grosso e o Maranhão é algo crônico”, afirma o ex-secretário da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), Valmir Ortega (foto). Quase dois anos após deixar o cargo, ele revela, em entrevista exclusiva, a dificuldade de reduzir o desmatamento ilegal e a grilagem na região.

Por Desirèe Luíse, texto publicado originalmente em Carta Capital.

Atualmente, Ortega é diretor do Programa Cerrado Pantanal da ONG Conservação Internacional do Brasil. Segundo ele, a maior parte de produtores na Amazônia age de forma ilegal para benefício próprio. “No Pará, especula-se que 4 milhões de m³ gerem entre R$ 2,5 bi e R$ 3 bi ilegalmente, por ano. Quem movimenta isso tem um altíssimo poder de corrupção”, avalia. Leia abaixo a entrevista completa.

Você exerceu o cargo de secretário de Meio Ambiente do Pará de 2007 até meados de 2009. Por que saiu antes de encerrar os quatro anos que condiz com a gestão?
No caso da Amazônia, é praticamente impossível um secretário que queira fazer um trabalho sério permanecer mais do que dois ou três anos no cargo. Falando do meu caso, em particular, uma eleição estadual estava se aproximando, quando acontece algum tipo de afrouxamento das tensões, com trocas e favores, e eu não estava interessado em participar. Como já disse, secretário de Meio Ambiente tem prazo de validade na região.

O afrouxamento das tensões quer dizer que havia práticas de corrupção?
O problema da corrupção nas Secretarias de Meio Ambiente de estados como o Pará, o Mato Grosso e o Maranhão, onde você tem um grande volume de ilegalidade ambiental, é algo crônico. São locais onde estão presentes os setores da madeira, do carvão, daquilo que envolve autorização ambiental. No Pará, anualmente, 4 milhões de m³ de madeira produzidos legalmente movimentam R$ 6 bilhões na economia do estado. Especula-se que outros 4 milhões de m³ gerem entre R$ 2,5 bi e R$ 3 bi, mas de forma ilegal, em um estado que o PIB é de R$ 50 bi por ano. Quer dizer, quem movimenta isso tem um altíssimo poder de corrupção.

Como isso funciona nas secretarias?
Quando você tem uma direção que quer enfrentar e combater a corrupção, você consegue reduzir e manter em níveis mais baixos. Ninguém acaba com a corrupção onde você tem um poder de pressão tão forte e com fragilidades legais como temos no caso ambiental. Quando os secretários e diretores estão envolvidos, a coisa generaliza, porque o ambiente criado é de que se o secretário pode, o funcionário em um cargo lá embaixo também pode, então a situação sai do controle.

No período em que foi secretário no Pará, como estava o nível de corrupção?
Prendemos e afastamos junto com a Polícia Federal mais de 70 pessoas da Secretaria. Neste período, trabalhamos integrado com o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e diminuiu a produção ilegal de madeira no estado, de acordo com dados de relatórios. Infelizmente, esses processos ainda não sustentam por longo tempo na Amazônia por conta de tensões políticas. No Mato Grosso e no Pará, há casos a todo o momento em que a PF intervém fortemente para prender secretários de Meio Ambiente, direção e funcionários. [A Polícia de Mato Grosso prendeu, na quinta-feira (10/3), 15 suspeitos de conseguir autorização para derrubar árvores ao apresentar informações falsas aos órgãos ambientais. O analista ambiental da Secretaria de Meio Ambiente do estado, Jakson Monteiro de Medeiros, também foi preso, acusado de vistoriar áreas e não ter encontrado as irregularidades, de acordo com edição da própria quinta do Jornal Nacional].

Poderia detalhar melhor esses casos de prisões e afastamentos?
Tiveram casos suspeitos e concretos, abrimos diversas sindicâncias. Uma situação típica é a de funcionários que estavam envolvidos com vistorias técnicas fraudulentas. Os técnicos vão até a floresta e declaram que determinado volume de madeira retirado condiz com o declarado pelo produtor. Mas, no refinamento da análise feito na secretaria verificamos que se tratava de área degradada.

Outro motivo de afastamento de vários servidores era sob a suspeita de manipulação de crédito, feito por meio do Dof [Documento de Origem Florestal] ou do Sisflora [Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais]. Este último funciona como uma conta bancária. O dono que vai explorar aprova um volume de madeira a ser retirada e isso se torna crédito no plano desse empreendedor. Com o sistema, sabemos onde a madeira foi comprada, para onde se movimentou, e funciona como uma conta de entrada e saída de crédito. Identificamos vários casos em que funcionários manipularam esse crédito. Como o trabalhador de um banco que coloca alguns milhões de reais na conta do amigo, que saca o dinheiro e gasta normalmente.

Com a questão da corrupção e fragilidade das secretarias, além do desmatamento ilegal, o caminho fica aberto para a grilagem?
Parte dos problemas que vemos na Amazônia hoje é consequência do que chamamos de falta de Estado, de capacidade de se fazer cumprir a lei. Isso não é exclusivo da Amazônia, mas em região de fronteira torna-se exacerbado, porque as pessoas estão expostas a uma situação, onde, aparentemente, é legitimado de que “aqui não é possível cumprir a totalidade da lei”. Portanto, grileiros sentem-se respaldados socialmente em avançar para além dali, porque acham que são pioneiros, que estão explorando uma área nova e fazendo um bem para o país. Isso acaba por validar a corrupção e práticas ilegais.

Do ponto de vista dos direitos humanos, quem mais perde com todos esses problemas de que estamos falando?
Os grupos sociais mais vulneráveis: comunidades locais, indígenas, quilombolas e ribeirinhos, porque a grilagem passa por cima dessas populações. Junto com a grilagem vem a violência. Não é a toa que o estado do Pará, norte do Mato Grosso e Rondônia têm os maiores índices de mortes violentas por conflitos fundiários e trabalho escravo.

Qual foi o primeiro choque que teve ao assumir a Secretaria no Pará?
Descobri que no Ibama dialogávamos com os potenciais infratores ou com pessoas que queriam licença ambiental. O limite da conversa almejava ser o seguinte: “até aqui podemos fazer, porque a lei permite, daqui para lá, não adianta, pois não tem o que discutir”. Mas no caso do Pará, o diálogo nunca parava no “até aqui você pode ir”. O interlocutor, o madeireiro, sempre tensionava para buscar alternativas que o beneficiasse para além daquela fronteira que tínhamos estabelecido.

A lei não é encarada como uma obrigação?
Demorei um tempo para enxergar que não tinha como fazer aquele interlocutor entender que o limite da conversa era o limite da lei, porque toda a vida material dele está baseada para além da lei. Ele ocupou uma terra pública, está em uma área em que não tem legitimidade para estar, opera num mercado completamente fora de controle, não paga imposto, não registra seu produto, não regulamenta… Quer dizer, falar para esse sujeito que ele não pode fazer algo, porque a lei não permite, não faz sentido nenhum. Infelizmente, essa é a realidade de imensa parte das pessoas que produzem e vivem na Amazônia.

Mesmo assim, quais são os mecanismos que as secretarias têm para tentar impedir o desmatamento ilegal?
O sistema de monitoramento, implantado pelo Inpe e replicado pelo Imazon, de forma espelhada e alternativa, é um instrumento poderoso, porque mostra para a sociedade, mensalmente, qual é o volume de mata que estamos perdendo. A partir desse dado, criou-se no Brasil um ambiente de constrangimento, para que o governo tome medidas, juntamente com empresários locais e compradores, por exemplo, no centro-sul do país, que financiam desmatamento ao adquirir madeira, soja e carne bovina produzidos ilegalmente. Também, a divulgação da lista dos maiores desmatadores contribui para o constrangimento.

E o que mais?
Acho que o motor do desmatamento ainda é a grilagem e o único meio para impedir foi a criação das Unidades de Conservação. Apesar disso, elas têm fraturas, então é possível desmatar. A criação de mecanismos para embargar a área e apreender o produto ilegal também têm ajudado. Isso não é novo, a Lei dos Crimes Ambientais fala desde 1981. Entretanto, o Ibama e as secretarias estaduais nunca tiveram peito ou instrumentos para aplicar.

Por que é possível aplicar esta parte da lei de embargar e apreender agora e não na década de 90?
Porque agora há o constrangimento social de que falei e pressão para que isso seja feito. Além disso, a modernização do sistema de controle madeireiro, a criação do Sisflora e a informatização das secretarias, também ajudou. Não resolve o problema, mas torna a fraude cada vez mais transparente e a capacidade de reagir mais rápida. A fraude sempre esteve ali, mas não conseguíamos enxergar.

Você frisou bem essa questão da transparência. Com isso, já há compreensão do tamanho do problema que é o desmatamento ilegal e a grilagem na Amazônia?
Não. Temos um problema no Brasil de que quando falamos da Amazônia tem-se a impressão que nos referimos a algo pequeno do fundo do quintal. Não é simples ir até a área onde foi localizado o desmatamento, porque, por exemplo, no Pará, estamos falando de escalas de 1500 km até o lugar. Às vezes, são 20 horas de deslocamento de barco para chegar. Esse é o tipo de escala da Amazônia. Ainda, quando falamos desta região, estamos tratando de ações ilegais que podem corresponder a 30% do PIB de toda a riqueza gerada em um estado. No município, chega a 70% ou 80% de toda a riqueza. Acabar com aquela atividade ilegal significa dar fim ao emprego na cidade. Essa é a dificuldade a enfrentar e que, no geral, não consideramos ao pensar em políticas públicas ou formas de enfrentamento do problema.

Qual é o desafio agora?
Fortalecer os órgãos ambientais, aumentar a transparência e ampliar a capacidade do controle social. Muito do que tem sido feito hoje na Amazônia está avançando pela capacidade de organização da sociedade civil. ONGs têm gerado relatórios e divulgado informações tanto para dar suporte aos governos no desenvolvimento de políticas públicas, quanto para orientar empresas a lançarem suas políticas empresariais.

*Desirèe Luíse é jornalista e cursa Jornalismo e Políticas Públicas Sociais na Universidade de São Paulo (USP).

 

Meias verdades sobre o carnaval


Sim, sim, algumas críticas fazem muito sentido, sendo meias verdades sobre alguns tipos de carnavais que existem hoje em dia (no caso, principalmente os midiáticos e as festas privadas que se travestem de “populares”).


A jornalista Rachel Sheherazade trata de muitos pontos em sua fala, tentando abarcar, em menos de 4 mim, o conceito de carnaval até as  consequências do feriado para a sociedade. Só podia dar merda.

Me incomodou bastante quando ela fala das mortes em estradas e outros tipos de violência. Neste ponto, também concordo em parte com a moça, e digo em parte, pois tais questões também devem ser vistas de forma ampla, sem criminalizar estritamente o folião. Exemplo? Vejam a fala da polícia federal e dos jornais que repercutiram o número recorde de mortos em estradas federais neste carnaval. O termo mais repetido: imprudência, imprudência e imprudência. Sim, a imprudência existe, mas o que dizer da condição das estradas? Nesse período, o mais grave acidente ocorreu em Santa Catarina, deixando 27 mortos, após o choque frontal de um caminhão com um ônibus de passageiro, fato que aconteceu pela tentativa de se desviar de um buraco na estrada. Ou seja, dos 189 mortos registrados em estradas federais, pelos menos 27 são de estrita culpa do governo que simplesmente não oferece infraestrutura e fiscalização para dar conta do deslocamento de pessoas durante estes tipos de festas.

Enfim, estou repercutindo apenas um ponto da fala da moça aí. Repito que ela expõe meias verdades, e confesso que me irrita essa mania típica de jornalista de abordar de forma restrita o que é amplo, e de forma generalista o que é particular. Resumindo, essa mania de distorcer os fatos.

 


Kassab e tarifa do ônibus: Protestos foram longe demais!


Na França, Kassab é surpreendido por protesto contra aumento do ônibus em SP

 

São Paulo – Solidários aos ativistas contrários ao aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, um grupo de manifestantes aproveitou a visita oficial do prefeito Gilberto Kassab (DEM) a Paris para protestar em frente à entrada da Feira Internacional dos Profissionais do Setor Imobiliário.

A manifestação ocorreu na terça-feira (8). Nesta quarta (9), Kassab apresentou na feira dois projetos, o Nova Luz e o Centro de Convenções que pretende construir em Pirituba, conhecido como Piritubão.

Na capital paulista, manifestantes foram às ruas em uma série de manifestações contra o aumento da tarifa de R$ 2,70 para R$ 3. A última passeata reuniu 1.500 pessoas e percorreu a Avenida Paulista, caminhando depois para o centro da cidade, sede da Prefeitura. Na quinta-feira (10),  o movimento promete fazer um ato diante da residência de Kassab (DEM), com concentração na frente do Shopping Iguatemi a partir das 17h.

Retirado de http://www.redebrasilatual.com.br/multimidia/blogs/megafone/na-franca-ativistas-contrarios-ao-aumento-do-onibus-em-sp-protestam-durante-visita-de-kassab

 

10:10 Sem Pressão * Ecofacismo que nada! Botão vermelho neles!


 

Segue a campanha 10:10 – Sem Pressão contra a emissão de carbono pelos ingleses, e que vem sendo considerada  ”chocante ou daquelas bem impactantes”.

Os ingleses foram instigados pelo Governo a cortar 10% das emissões de CO2 esse ano ainda, mas muitos não aderiram ao projeto.

Como tentativa de conscientização (rs), foi lançada essa campanha, com muitas estrelas britânicas como: Gillian Anderson, Peter Crouch, Ledley King e David Ginola.

Confiram a mensagem

 

Rio – “Uma guerra pela regeografização”


publicado originalmente em jornal Brasil de Fato.

Para o sociólogo José Cláudio Souza Alves, conflitos evidenciam a reorganização da estrutura do crime no Rio de Janeiro.

30/11/2010

Instituto Humanitas Unisinos
“O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade”. Assim descreve o sociólogo José Cláudio Souza Alves a motivação principal dos conflitos que estão se dando entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro. Na entrevista a seguir, o professor analisa a composição geográfica do conflito e reflete as estratégias de reorganização das facções e milícias durante esses embates. “A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime”, explica.

José Cláudio Souza Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Iser Assessoria.

IHU On-Line – O que está por trás desses conflitos atuais no Rio de Janeiro?

José Cláudio Alves – O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade. Isso já vem se dando há algum tempo e culminou na situação que estamos vivendo atualmente. Há elementos presentes nesse conflito que vêm de períodos maiores da história do Rio de Janeiro, um deles é o surgimento das milícias que nada mais são do que estruturas de violência construídas a partir do aparato policial de forma mais explícita. Elas, portanto, controlarão várias favelas do RJ e serão inseridas no processo de expulsão do Comando Vermelho e pelo fortalecimento de uma outra facção chamada Terceiro Comando. Há uma terceira facção chamada Ada, que é um desdobramento do Comando Vermelho e que opera nos confrontos que vão ocorrer junto a essa primeira facção em determinadas áreas. Na verdade, o Comando Vermelho foi se transformando num segmento que está perdendo sua hegemonia sobre a organização do crime no Rio de Janeiro. Quem está avançando, ao longo do tempo, são as milícias em articulação com o Terceiro Comando.

Um elemento determinante nessa reconfiguração foi o surgimento das UPPs a partir de uma política de ocupação de determinadas favelas, sobretudo da zona sul do RJ. Seus interesses estão voltados para a questão do capital do turismo, industrial, comercial, terceiro setor, ou seja, o capital que estará envolvido nas Olimpíadas. Então, a expulsão das favelas cariocas feita pelas UPPs ocorre em cima do segmento do Comando Vermelho. Por isso, o que está acontecendo agora é um rearranjo dessa estrutura. O Comando Vermelho está indo agora para um confronto que aterroriza a população para que um novo acordo se estabeleça em relação a áreas e espaços para que esse segmento se estabeleça e sobreviva.

Mas, então, o que está em jogo?

Não está em jogo a destruição da estrutura do crime, ela está se rearranjando apenas. Nesse rearranjo quem vai se sobressair são, sobretudo, as milícias, o Terceiro Comando – que vem crescendo junto e operando com as milícias – e a política de segurança do Estado calcada nas UPPs – que não alteraram a relação com o tráfico de drogas. A mídia nos faz crer – sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso – que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime.

A realidade do RJ exige hoje uma análise muito profunda e complexa e não essa espetacularização midiática, que tem um objetivo: escorraçar um segmento do crime organizado e favorecer a constelação de outra composição hegemônica do crime no RJ.

Por que esse confronto nasceu na Vila Cruzeiro?

Porque a partir dessa reconfiguração que foi sendo feita das milícias e das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras), o Comando Vermelho começou a estabelecer uma base operacional muito forte no Complexo do Alemão. Este lugar envolve um conjunto de favelas com um conjunto de entradas e saídas. O centro desse complexo é constituído de áreas abertas que são remanescentes de matas. Essa estruturação geográfica e paisagística daquela região favoreceu muito a presença do Comando Vermelho lá. Mas se observarmos todas as operações, veremos que elas estão seguindo o eixo da Central do Brasil e Leopoldina, que são dois eixos ferroviários que conectam o centro do RJ ao subúrbio e à Baixada Fluminense. Todos os confrontos estão ocorrendo nesse eixo.

Por que nesse eixo, em específico?

Porque, ao longo desse eixo, há várias comunidades que ainda pertencem ao Comando Vermelho. Não tão fortemente estruturadas, não de forma organizada como no Complexo do Alemão, mas são comunidades que permanecem como núcleos que são facilmente articulados. Por exemplo: a favela de Vigário Geral foi tomada pelo Terceiro Comando porque hoje as milícias controlam essa favela e a de Parada de Lucas a alugam para o Terceiro Comando. Mas ao lado, cerca de dois quilômetros de distância dessa favela, existe uma menor que é a favela de Furquim Mendes, controlada pelo Comando Vermelho. Logo, as operações que estão ocorrendo agora em Vigário Geral, Jardim América e em Duque de Caxias estão tendo um núcleo de operação a partir de Furquim Mendes. O objetivo maior é, portanto, desmobilizar e rearranjar essa configuração favorecendo novamente o Comando Vermelho.

Então, o combate no Complexo do Alemão é meramente simbólico nessa disputa. Por isso, invadir o Complexo do Alemão não vai acabar com o tráfico no Rio de Janeiro. Há vários pontos onde as milícias e as diferentes facções estão instaladas. O mais drástico é que quem vai morrer nesse confronto é a população civil e inocente, que não tem acesso à comunicação, saúde, luz… Há todo um drama social que essa população vai ser submetida de forma injusta, arbitrária, ignorante, estúpida, meramente voltada aos interesses midiáticos, de venda de imagens e para os interesses de um projeto de política de segurança pública que ressalta a execução sumária. No Rio de Janeiro a execução sumária foi elevada à categoria de política pública pelo atual governo.

Em que contexto geográfico está localizado a Vila Cruzeiro?

A Vila Cruzeiro está localizada no que nós chamamos de zona da Leopoldina. Ela está ao pé do Complexo do Alemão, só que na face que esse complexo tem voltada para a Penha. A Penha é um bairro da Leopoldina. Essa região da Leopoldina se constituiu no eixo da estrada de ferro Leopoldina, que começa na Central do Brasil, passa por São Cristóvão e dali vai seguir por Bom Sucesso, Penha, Olaria, Vigário Geral – que é onde eu moro e que é a última parada da Leopoldina e aí se entra na Baixada Fluminense com a estação de Duque de Caxias.

Esse “corredor” foi um dos maiores eixos de favelização da cidade do Rio de Janeiro. A favelização que, inicialmente, ocorre na zona sul não encontra a possibilidade de adensamento maior. Ela fica restrita a algumas favelas. Tirando a da Rocinha, que é a maior do Rio de Janeiro, os outros complexos todos – como o da Maré e do Alemão – estão localizados no eixo da zona da Leopoldina até Avenida Brasil. A Leopoldina é de 1887-1888, já a Avenida Brasil é de 1946. É nesse prazo de tempo que esse eixo se tornou o mais favelizado do RJ. Logo, a Vila Cruzeiro é apenas uma das faces do Complexo do Alemão e é a de maior facilidade para a entrada da polícia, onde se pode fazer operações de grande porte como foi feita na quinta-feira, dia 25-11. No entanto, isso não expressa o Complexo do Alemão em si.

A Maré fica do outro lado da Avenida Brasil. Ela tem quase 200 mil habitantes. Uma parte dela pertence ao Comando Vermelho, a outra parte é do Terceiro Comando. Por que não se faz nenhuma operação num complexo tão grande ou maior do que o do Alemão? Ninguém cita isso! Por que não se entra nas favelas onde o Terceiro Comando está operando? Porque o Terceiro Comando já tem acordo com as milícias e com a política de segurança. Por isso, as atuações se dão em cima de uma das faces mais frágeis do Complexo do Alemão, como se isso fosse alguma coisa significativa.

Estando a Vila Cruzeiro numa das faces do Complexo, por que o Alemão se tornou o reduto de fuga dos traficantes?

A estrutura dele é muito mais complexa para que se faça qualquer tipo de operação lá. Há facilidade de fuga, porque há várias faces de saída. Não é uma favela que a polícia consegue cercar. Mesmo juntando a polícia do RJ inteiro e o Exército Nacional jamais se conseguiria cercar o complexo. O Alemão é muito maior do que se possa imaginar. Então, é uma área que permite a reorganização e reestruturação do Comando Vermelho. Mas existem várias outras bases do Comando Vermelho pulverizadas em toda a área da Leopoldina e Central do Brasil que estão também operando.

Mesmo que se consiga ocupar todo o Complexo do Alemão, o Comando Vermelho ainda tem possibilidades de reestruturação em outras pequenas áreas. Ninguém fala, por exemplo, da Baixada Fluminense, mas Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo são áreas que hoje estão sendo reconfiguradas em termos de tráfico de drogas a partir da ida do Comando Vermelho para lá.

Por exemplo, um bairro de Duque de Caxias chamado Olavo Bilac é próximo de uma comunidade chamada Mangueirinha, que é um morro. Essa comunidade já é controlada pelo Comando Vermelho que está adensando a elevação da Mangueirinha e Olavo Bilac já está sentindo os efeitos diretos dessa reocupação. Mas ninguém está falando nada sobre isso.

A realidade do Rio de Janeiro é muito mais complexa do que se possa imaginar. O Comando Vermelho, assim como outras facções e milícias, estabelece relação direta com o aparato de segurança pública do Rio de Janeiro. Em todas essas áreas há tráfico de armas feito pela polícia, em todas essas áreas o tráfico de drogas permanece em função de acordos com o aparato policial.

Podemos comparar esses traficantes que estão coordenando os conflitos no RJ com o PCC, de São Paulo?

Só podemos analisar a história do Rio de Janeiro, fazendo um retrospecto da história e da geografia. O PCC, em São Paulo, tem uma trajetória muito diferente das facções do Rio de Janeiro, tanto que a estrutura do PCC se dá dentro dos presídios. Quando a mídia noticia que os traficantes no Rio de Janeiro presos estão operando os conflitos, leia-se, por trás disso, que a estrutura penitenciária do Estado se transformou na estrutura organizacional do crime. Não estou dizendo que o Estado foi corrompido. Estou dizendo que o próprio estado em si é o crime. O mercado e o Estado são os grandes problemas da sociedade brasileira. O mercado de drogas, articulado com o mercado de segurança pública, com o mercado de tráfico de drogas, de roubo, com o próprio sistema financeiro brasileiro, é quem tem interesse em perpetuar tudo isso.

A articulação entre economia formal, economia criminosa e aparato estatal se dá em São Paulo de uma forma diferente em relação ao Rio de Janeiro. Expulsar o Comando Vermelho dessas áreas interessa à manutenção econômica do capital. O que há de semelhança são as operações de terror, operações de confronto aberto dentro da cidade para reestruturar o crime e reorganizá-lo em patamares mais favoráveis ao segmento que está ganhando ou perdendo.

Como o senhor avalia essa política de instalação das UPPs – Unidades de Policiamento Pacificadoras nas favelas do Rio de Janeiro?

É uma política midiática de visibilidade de segurança no Rio de Janeiro e Brasil. A presidente eleita quase transformou as UPPs na política de segurança pública do país e quer reproduzir as UPPs em todo o Brasil. A UPP é uma grande farsa. Nas favelas ocupadas pelas UPSs podem ser encontrados ex-traficantes que continuam operando, mas com menos intensidade. A desigualdade social permanece, assim como o não acesso à saúde, educação, propriedade da terra, transporte. A polícia está lá para garantir o não tiroteio, mas isso não garante a não existência de crimes. A meu ver, até agora, as UPPs são apenas formas de fachada de uma política de segurança e econômica de grupos de capitais dominantes na cidade para estabelecer um novo projeto e reconfiguração dessa estrutura.

A tensão no Rio de Janeiro, neste momento, é diferente de outros momentos de conflito entre polícia e traficantes?

Sim, porque a dimensão é mais ampla, mais aberta. Dizer que eles estão operando de forma desarticulada, desesperada, desorganizada é uma mentira. A estrutura que o Comando Vermelho organiza vem sendo elaborada há mais de cinco anos e ela tem sido, agora, colocada em prática de uma forma muito mais intensa do que jamais foi visto.

A grande questão é saber o que se opera no fundo imaginário e simbólico que está sendo construído de quem são, de fato, os inimigos da sociedade fluminense e brasileira. Essa questão vai ter efeitos muito mais venenosos para a sociedade empobrecida e favelizada. É isso que está em jogo agora.

 

Luiz Eduardo Soares * Quanto ganha o secretário de Segurança do Rio?


 

Não vou discutir aqui quem é Luiz Eduardo Soares (ex-secretário de Segurança Pública do RJ) e nem fazer uma análise do papel que ele desempenhou no cargo que hoje pertence à José Mariano Beltrame.

Somente um ponto me chamou a atenção na entrevista acima: o salário. Durante o governo Garotinho, Soares que disse que ganhava entre cinco e seis mil reais para desempenhar tal função. Pouco, não? Principalmente se considerarmos que ele era a autoridade máxima responsável pela segurança no Rio. Imagina a remuneração para todo o quadro que está abaixo dele. Eles se tornam corruptíveis ou não?

 

Marcelo Freixo, sobre as milícias – Por que as UPPs não chegam para todos?


Marcelo Freixo

O que me traz a essa tribuna  é um tema que voltou à pauta. Mas não voltou à pauta em função das políticas públicas, em função das ações de Governo. Voltou à pauta em função de um filme que faz muito sucesso hoje nos cinemas.

O tema das milícias, antes esquecido e, durante as eleições, pouco lembrado, voltou à pauta da sociedade. O filme Tropa de Elite 2 traz o tema da milícia novamente ao debate do Rio de Janeiro e agora para o Brasil inteiro. Mais de oito milhões de espectadores já assistiram ao filme. É um recorde e, provavelmente, o será de todos os tempos se atingir 12 milhões de espectadores. Parabéns ao Padilha, aos atores e todos da produção, foi um belíssimo filme e uma belíssima contribuição.

Senhores Deputados, quero dizer que o tema das milícias foi muito discutido nesta Casa no ano de 2008. Em 5 de fevereiro de 2007 eu apresentei um requerimento para abertura de uma CPI para investigar a ação das milícias. Fevereiro de 2007. Nós só conseguimos abrir essa CPI em junho de 2008. A CPI sequer havia sido publicada nesta Casa, aliás, como está acontecendo agora com o meu pedido de CPI da área de Saúde que também não publicam. A Mesa Diretora atribui a si um papel que não tem: o de não publicar o pedido de um deputado feito nos trâmites legais da Casa.

Nós só conseguimos abrir a CPI que investigou a ação das milícias, depois que uma equipe do jornal O Dia foi barbaramente torturada na Favela do Batan. Depois que isso ocorreu, nós conseguimos, diante de uma pressão muito forte, principalmente dos meios de comunicação, abrir a CPI das Milícias.

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Tradução em entrevista para o termo “macaco velho”


“Se pagar bem, claro que vendo o SBT”, diz Silvio Santos

 

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O empresário Silvio Santos atendeu ontem à noite, em sua casa, a um telefonema da Folha. Ele disse que, se alguém pagar o que ele deve ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que emprestou à sua holding dinheiro para cobrir o rombo do banco PanAmericano, pode comprar o SBT. Leia entrevista.

Folha – Eu gostaria que o sr. desse uma palavra para o público sobre tudo o que está acontecendo no banco.

Silvio Santos – Não posso porque eu assinei um termo de confidencialidade. Eu assinei um termo de conf… confidencialidade… é até difícil de falar! Não posso comentar nada. Só quem pode falar é o Fundo Garantidor de Crédito.

O sr. se encontrou com o Lula. Falou com ele sobre isso?
Que Lula?

O presidente.
Estive com ele falando sobre o Teleton [programa que arrecada recursos para a AACD]. Ele está me devendo R$ 13 mil [risos]. Tive que dar por minha conta porque ele prometeu e não deu os R$ 13 mil [que disse que doaria].
Eu falei para ele: “Se você der R$ 13 mil, a Dilma pode ganhar a eleição”. Porque é o número dela, não é? Não é 13 o número da Dilma? “Pode ser que Deus te ajude e ela ganhe a eleição.”

E ela ganhou do mesmo jeito.
Mas aí é que tá: agora tô preocupado [risos]. Ele fez a promessa e não cumpriu.

E o senhor votou nela?
Eu estou com 80 anos. Você acha que eu vou sair de casa para votar? Vou votar é em mim mesmo aqui em casa.

E aquela história da bolinha [reportagem do SBT afirmou que o candidato tucano, José Serra, foi atingido, numa manifestação, por uma bolinha de papel, e não por um objeto mais pesado, como ele dizia]? Todo mundo está falando que o SBT fez a reportagem porque estava com problema no banco.
Mas que bolinha?

A bolinha que caiu na cabeça do Serra.
Caiu alguma coisa na cabeça dele? [risos] Caiu alguma coisa na cabeça dele?

Na campanha.
Ah, não foi hoje?

Não.
Ah, eu não sei desse negócio de bolinha, não. Isso aí, olha, eu não vejo TV. Televisão, para mim, é trabalho. Só vejo filme. Agora que você ligou para mim eu estava vendo a Fontana di Trevi. Você já viu esse filme, “A Fonte dos Desejos” (de Jean Negulesco)? Eu estava vendo agora.

E essa informação de que o empresário Eike Batista quer comprar o SBT?
No duro?

É.
Ah, me arranja! Arranja para mim que eu te dou uma comissão.

O senhor venderia?
Se ele me pagar bem, por que não? Quem é? “Elque”?

Eike, um dos homens mais ricos do Brasil.
Ele é americano? Eike?

Brasileiro.
Não, não conheço. Mas, se ele pagar os R$ 2,5 bilhões que estou devendo, vendo, é claro que vendo. Não precisa nem pagar para mim, paga para o Fundo Garantidor de Crédito. Eu não posso vender nada sem passar pelo Fundo Garantidor de Crédito.

O senhor está bem? Triste? Chateado?
Eu estou sempre bem. Você já me viu mal?

O senhor ficou surpreso com tudo o que aconteceu?
Não posso falar.

Mas o senhor coloca o seu nome e a sua história como garantia de tudo…
É claro. A holding [do grupo Silvio Santos] só recebeu R$ 2,5 bilhões porque eu dei todos os meus bens em garantia. [A operação se realizou] Como se fosse num banco particular. Mas com banco particular seria mais difícil porque os bancos particulares não querem concorrência [do banco PanAmericano].

O Bradesco não emprestaria para o seu banco, né?
É claro [que não]! Acha que o Bradesco… eu não digo o Bradesco. Mas um banco particular não vai querer me emprestar R$ 2,5 bilhões por dez anos. Vai? Até vou tentar conseguir, quem sabe?

E o ex-superintendente do PanAmericano, Rafael Palladino?
Palladino? Que Palladino? Nunca fui ao banco. Nem sei onde é o prédio. Quando tenho dinheiro, abro uma empresa no Brasil. Aplico no mercado brasileiro. Mas não sou obrigado a ficar sabendo onde é a empresa. Eu tinha uma fazenda que era a segunda maior do Brasil, a Tamakavi, e nunca fui lá. Nem vi no mapa.
A única coisa com que me preocupo é com a televisão. Eu sou investidor. Se [o negócio] der certo, deu. Se não der certo, não deu. A TV é o meu negócio. Mesmo que não desse certo, é o meu hobby.
Agora, os outros são negócios. Eu não sou obrigado a entender de perfumaria, de banco. Eu não! Isso aí eu boto dinheiro, pago bem os profissionais e eles têm que me dar resultados. E, às vezes, falham. Desta vez, falhou.

E a auditoria não pegou…
Mas quem é que arranja a auditoria? Não é o próprio executivo do banco? Que culpa tenho eu? Você vai publicar isso na Folha? A Folha fez uma matéria muito boa hoje. Ninguém sabia o que era Fundo Garantidor de Crédito. Pensavam que era um órgão do governo. Aquilo ali é praticamente uma companhia de seguros. Nem jornalista sabia. Aquilo ali realmente é para poder emprestar dinheiro, garantir o que você tem no banco. Se você tem até R$ 60 mil, garante.

Não é dinheiro público…
Mas claro que não é. O dinheiro é particular. É uma empresa sem fins lucrativos.

E com o Henrique Meirelles, o senhor tem falado muito?
Nem conheço. Não sei quem é. Olha, capricha, bota uma foto minha bem bonita no jornal.